Quem é o responsável pelos danos da AI?
Crianças nascem com uma inteligência surpreendente, rapidamente aprendem a superar obstáculos, a obter o que precisam, a se comunicar. Acompanhar o desenvolvimento de um bebê é fascinante, pois é nesse momento que entendemos como o ser humano é superior a tantos outros animais e como essa inteligência vem de nascença.
Ao mesmo tempo que ficamos fascinados podemos nos perguntar: se o ser humano é tão inteligente ao nescer, por que demoramos tanto para atingir a independência? A capacidade de viver em comunidade é o principal diferencial evolutivo do homo sapiens sapiens, essa nossa competência é construída ao longo da vida e demora muitos anos para ser considerada segura de forma a não precisar mais de supervisão.
A medida que crescemos, aprendemos a respeitar o próximo, a respeitar o pai e a mãe (está nas escrituras mais antigas), a se colocar no lugar do outro, a respeitar a hierarquia. Esse aprendizado de empatia é tão complexo que o ser humano leva quase 20 anos para ser treinado e, enquanto isso não acontece, outros humanos são os responsáveis pelo que ele faz, em particular: pais, professores e o Estado.
O que isso tem a ver com tecnologia? A inteligência artificial, AI, está bem próximo de ter uma capacidade de conclusão semelhante a do humano, mas está longe de atingir o grande diferencial da humanidade que é a capacidade de agir em favor do coletivo. Sem isso, o humano não sobrevive, ao contrário, se destrói facilmente.
Esse artigo da MIT Tech Review tem um apanhado soluções de AI que se apresentaram maravilhosas e ao mesmo tempo desastrosas: https://mittechreview.com.br/confie-nos-grandes-modelos-de-linguagem-por-sua-conta-e-risco
Precisamos assumir a responsabilidade de supervisionar as ferramentas de inteligência artificial, pois sabemos que só inteligência não basta, precisamos de ética, moral, respeito ao próximo, respeito às leis e, enquanto a AI não consegue fazer isso sozinha, o humano deve ser responsável pelas consequências dos seus atos.
No final do dia, quem deverá assumir essa responsabilidade da AI? Os programadores (equivalente aos pais biológicos), as empresas que fazem uso da tecnologia (equivalente aos pais aditivos), as agências de controle (professores) ou o Estado? Ao meu ver, pelo bem da sociedade, todos devem se empenhar para manter os limites das ferramentas de AI que não tem empatia, já que esse é um sentimento humano com seus semelhantes.
Como esse é um mundo novo, devemos ser cautelosos para evitar grandes danos, mas também só punir em caso de dolo ou imprudência no uso da tecnologia. As normas de conduta devem ser mais explícitas, transparentes e técnicas possíveis.
Sabemos que tudo isso envolve poder econômico e estratégia de Estado e são muitas variáveis a serem analisadas, mas temos muito a perder com um mundo sem empatia.

Comentários
Postar um comentário