Dia da Pátria e da Tecnologia Brasileira
Minha trajetória no empreendedorismo sempre foi atípica, especialmente quando comparada à maioria dos empresários que conheço.
Em 1994, após uma década dedicada à vida acadêmica — com graduação em Engenharia Mecânica (ênfase em Nuclear), mestrado na mesma área, doutorado em Engenharia Nuclear (todos concluídos na UFRJ), além de uma temporada como pesquisadora visitante no Laboratoire de Vision Artificielle da Université Blaise Pascal, na França —, eu havia publicado artigos em revistas e congressos internacionais e já ministrava a disciplina de Métodos Matemáticos no mestrado de Engenharia Nuclear da Coppe/UFRJ.
Foi nesse momento, aos 27 anos e já casada, que decidi deixar para trás a carreira acadêmica e mergulhar no setor privado.
A decisão não foi fácil. Havia razões sólidas para permanecer onde estava:
Em primeiro lugar, a carreira de professora e pesquisadora no funcionalismo público federal era bem remunerada e me garantia reconhecimento e respeito dentro da comunidade acadêmica.
Além disso, não havia em meu círculo familiar ou de amigos nenhum empresário que pudesse me orientar na estruturação do negócio ou apoiar com investimento inicial. Eu também não possuía qualquer experiência — teórica ou prática — em marketing ou vendas.
E, é claro, em 1994, não se falava em startups ou na cultura do empreendedorismo como hoje. A mentalidade da época valorizava, acima de tudo, a estabilidade de uma carreira tradicional.
Diante de tudo isso, o que teria me levado a dar tão abrupta guinada?
Anos antes, ainda durante meus trabalhos de pesquisa, dois dos meus estudos haviam despertado interesse na comunidade científica internacional. No entanto, algo me incomodava profundamente: enquanto recebia cartas (em papel!) de instituições da Alemanha, Canadá, China, NASA — EUA, Argentina e Cuba, o mesmo entusiasmo não se via entre pesquisadores brasileiros.
Para uma jovem cientista ansiosa por ver suas descobertas transformadas em produtos e em riqueza para o país, aquilo foi uma verdadeira ducha de água fria. Meu objetivo nunca foi o prestígio pessoal, mas sim contribuir com algo relevante para o Brasil.
Temia que todo o investimento do CNPq em minhas pesquisas acabasse gerando frutos apenas em terras estrangeiras.
Foi esse sentimento — genuinamente nacionalista e patriótico — que me moveu em busca de um novo caminho. Percebi, naquele momento, que o que faltava ao Brasil não era competência técnica, mas visionários dispostos a transformar conhecimento em empresa, em produto, em impacto real.
Escrevo este texto hoje, no Dia da Independência, porque acredito que a verdadeira independência é soberania. É construir um futuro em que possamos ditar nossos rumos, sem dependência, mas com colaboração — sempre pensando no que é melhor para o nosso povo e para a nação que escolhemos construir.
Feliz Sete de Setembro!


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